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RECEPÇÃO CULTURAL NO DF E DEPOIS NA CHÁCARA IRECÊ
10-07-1993
Um grupo muito simpático. Poetas, artistas plásticos , músicos.
O convite partiu de Gonzalo Adolfo Villalobos Quiñones e de Trina Quinõnes, diplomatas venezuelanos. Moravam antes no Quênia e agora estão em missão no Brasil e, como gostam de literatura e música, apareceram no almoço literário do meu amigo Fernando Mendes Viana. Foi lá que eu os conheci. Depois enviei-lhes um exemplar da 7ª. edição de “Tu país está feliz” pelo correio.
Não tardou um telefonema deles, convidando-me para uma recepção na casa deles, na sexta-feira passada, lá pelas bandas da QI 21, no Lagoa Sul de Brasília.
Gonzalo e Trina são extremamente simpáticos e jovens, pelos anos 70. Alegres, hospitaleiros.
Lá estavam caras conhecidas do almoço literário no Restaurante Belas Artes: o poeta Fernando Mendes Viana e sua bela esposa, a poetisa venezuelana Sofia Vivo com toda a sua verve, o poeta Anderson Braga Horta, um escultor (não recordo o nome dele...), uma atriz paulista (Inara Reis), músicos e cantores. Gente alegre.
Muita bebida e uma mesa fartíssima, em que não faltaram patês, queijos, caviar e vinhos franceses.
Houve espaço para leitura de poemas dos convidados (a cargo do próprio Gonzalo) e para canto e violão. Ao final, até à madrugada, foi a vez da “salsa y merengue”.
Há tempos eu não dançava tanto!
O frio era intenso, provavelmente a noite mais fria do ano. Logo a dança provocou os instintos “juvenis” e suamos para valer ao som de “Um solo Pueblo” e de Juan Luiz Guerra.
Depois veio o meu convite para um Café Colonial caipira, na Chácara Irecê, nos arredores de Brasília, aproveitando a presença de minha irmã Irecê (cujo nome adotei para a Chácara Irecê...) que é especialistas em doces e salgados em recepções.
Passei a semana indo e vindo para os preparativos, levando copos e talheres, bebidas e comidas, complementos para a decoração da chácara e, principalmente, para acompanhar a limpeza e arrumação da casa e dos jardins.
Nesta época próxima do inverno, as folhas caem e poeira enferniza. O jardim Laberinto está com mato por toda parte, depois que o caseiro Zé Adriano voltou a beber e a relaxar no trato da chácara...
Encontramo-nos no estacionamento da Rodoviária de Brasília. Trina e Gonzalo, da embaixada da Venezuela, Sofia Vivo, artista plástica e poetisa uruguaia e seu marido carioca Mario de Andrade, do Banco Interamericano de Desenvolvimento; Meireluce, da Secretaria de Ciêncja e Tecnologia e o marido Pains, da área imobiliária, a Dra. Kira Tarapanoff, da Universidade de Brasília e minha família — minha irmã Irecê, minha sobrinha Maria da Graça e o sobrinho-neto Vinicius. Saímos em caravana até a chácara.
Comida em abundância. Bebidas selecionadas.
No fim da tarde teve luar a cerimônia de registro dos nomes nas placas (de cimento) do jardim. Trina e Sofia colocaram versos em espanhol.
Por último, escrevemos nossos nomes em uma placa coletiva de “inauguração” do jardim-labirinto, sob o império de uma lua cheia esplendorosa, luz de lampiões a gás, umas labaredas de fogo no cerrado, no horizonte. Gonzalo gravou em vídeo, a ocasião...
À noite ficamos no salão ouvindo as fitas gravadas de
“Tu país está feliz”, de “De Creencias y Vivencias” (programa de rádio gravado em Caracas anos atras, com poemas meus em espanhol), poesia da Sofia e uns inéditos da Trina e, para finalizar, li uns trechos de um texto poético que estou finalizando — “Da perspectiva do corpo”.
É raro que se tenha platéia cativa para esse tipo de leitura...
Vinícius e a Durga, filha da Trina e do Gonzalo, corriam e pulavam o tempo todo.
Dormimos extasiados. (Sofia e Mário chegaram de Curitiba pela manhã e só tiveram tempo de passar em casa para usufruir de algumas coisas.
Os dois quartos de baixo da casa da chácara ficaram para os casais estrangeiros; Kira, Meire e Pains regressaram cedo a Brasília. Eu dormi na biblioteca.
Pela manhã fomos ao rio e à mata ciliar.
Manhã esplêndida, fresca, ensolarada na hora de nosso regresso para Brasília...
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